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23/10/2013

Evento debate visão social e econômica para o futuro

Conferência traça projeções do setor de seguros e do mercado no Brasil

Discutir a economia brasileira e o mercado de seguros para os próximos 12 anos é a proposta da sexta edição da Conferência Brasileira de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (Conseguro). O evento, que iniciou ontem em Brasília, é  realizado pela Confederação Nacional de Seguradoras (CNSeg), em Brasília.

O principal painel do dia, que ocorreu logo após a solenidade de abertura, trouxe a visão política, econômica e social de especialistas sobre os pensamentos estratégicos para o Brasil em 2025. Um dos participantes foi o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, que elencou três disfunções crônicas históricas que travam o desenvolvimento do País. Para ele, os problemas passam pelo patrimonialismo, onde existe uma grande dificuldade de separar o público do privado, além do oficialismo, que é a cultura de que tudo precisa depender da bênção do governo para andar. O terceiro ponto, segundo o ministro, é o autoritarismo. Barroso lembrou fatos históricos de golpes políticos e quebras de legalidade. “Mas desde a instituição da Constituição, temos uma estabilidade neste quesito. Se conseguimos superar em uma geração o autoritarismo, quem sabe nas próximas quebremos as demais para termos uma evolução social”, analisa.

Para o futuro, o ministro elenca uma série de propostas econômicas e sociais que podem elevar o Brasil a um novo panorama, como a criação de academias de ponta, reforma política que ajude a baratear custos eleitorais e redução do foro prerrogativo de função no judiciário. A mais celebrada pelo público presente no evento foi a de eliminar o preconceito contra o empreendedorismo e a livre iniciativa. Conforme Barroso, o assunto no Brasil foi historicamente baseado no sucesso de trabalhar para estatais e indústrias multinacionais. “Ainda temos uma cultura que associa o sucesso empresarial a coisas ruins, como golpes, falcatruas, entre outros. A livre iniciativa é melhor geradora de riquezas do que o protagonismo estatal”, defende.

O ex-presidente do Banco Central no governo de Fernando Henrique Cardoso e sócio-fundador da Gávea Investimentos, Armínio Fraga, falou sobre a visão econômica em relação ao crescimento do País para os próximos anos. Fraga buscou reconstruir a história do desenvolvimento a partir dos anos 1950 até os anos 1980, período em que o Brasil dobrou o PIB na comparação com a expansão dos Estados Unidos, de 12% para 24% na mesma época. Mas a partir dos anos 1980, teve novo decréscimo, chegando a 16%. A retomada, de acordo com Fraga, se deu nos anos 1990, com a abertura do mercado para a globalização e a retirada do Estado em determinados setores com as privatizações. “Este modelo foi preservado com a chegada dos trabalhadores ao poder. O presidente Lula teve a felicidade de não seguir a plataforma história defendida pelo seu partido”, salienta.

No entanto, para o ex-presidente do Banco Central, o Brasil voltou a um modelo econômico fechado com a participação exagerada do Estado. Fraga sinaliza que para o País voltar a patamares anteriores dos anos 1990 e início dos anos 2000, é preciso que o governo reinvista na disciplina macroeconômica. “Por outro lado, o governo sabe quais os modelos econômicos são errados. Creio que estas experiências anteriores são fundamentais para restringir o populismo no Brasil”, ressalta.

Mercado deve chegar a R$ 768 bilhões em 2025

Os representantes do setor de seguros confiam na contínua expansão do mercado para os próximos 12 anos. A expectativa de arrecadação, que foi de R$ 254,2 bilhões em 2012, pode chegar a R$ 768 bilhões em 2025. A afirmação é do presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), Marco Antônio Rossi. Além de projetar um retorno do aquecimento da economia nacional, fatores como a longevidade da população brasileira vão ser determinantes especialmente em categorias como saúde e previdência privada. “O mercado é positivo, existem oportunidades para o segmento. Os planos de saúde, por exemplo, se transformaram em objeto de desejo da população”, avalia.

Para este ano, Rossi acredita que o mercado deve ter crescimento de 15%, acima da média dos últimos anos, de 10%. Segundo o dirigente, esta elevação está alavancada em uma comunicação mais próxima da população, com esclarecimentos da importância de se fazer seguros para os mais diversos bens de consumo. No entanto, para dar continuidade a este crescimento, o presidente da CNSeg espera a manutenção da previsibilidade e da estabilidade da economia. Mesmo com alguns solavancos como a alta da inflação, Rossi não acredita em queda no mercado.

As novas tecnologias também estão sendo aliadas de acordo com o dirigente. As facilidades via internet e a inserção das redes sociais devem ser exploradas pelo setor. “Precisamos nos adaptar a estas transformações e à velocidade de mudança por meio da tecnologia para termos uma expansão ainda maior”, completa.

Conselho do IRB aprova abertura de capital em até cinco anos

A abertura de capital do ressegurador IRB Brasil foi aprovada pelo conselho de desestatização da companhia e, portanto, deve ocorrer em até cinco anos, conforme o presidente da empresa, Leonardo Paixão. Esse prazo começa a contar, segundo ele, neste mês, quando a resseguradora passou a atuar como uma companhia privada após 74 anos de operação como estatal.

Ainda não há um cronograma, de acordo com Paixão, para que o IRB vá à bolsa, mas o ressegurador quer estar pronto em dois anos para poder aproveitar as janelas de mercado. “A ideia de abrir capital é interessante e importante por conta do ganho de governança corporativa e também uma nova fonte de financiamento que hoje não está disponível”, avaliou.

Segundo o executivo, atualmente o IRB não precisa captar recursos, entretanto, a expectativa é de que o ressegurador cresça, assuma mais riscos e tenha necessidade de mais capital. O patrimônio líquido da companhia está em cerca de R$ 2,5 bilhões. O valor a ser captado, conforme Paixão, ainda não está definido e deve ser discutido com o novo bloco de controle do IRB formado pela BB Seguridade, Bradesco Seguros, Itaú Seguros e um fundo de participações da Caixa, cujos cotistas são fundos de pensões. Também não está certo quais acionistas podem sair do capital do IRB em uma eventual abertura de capital. “Essa é uma decisão do próprio acionista. Quando olhamos um fundo com cotistas de fundos de pensão, sabemos que eles fazem um investimento em busca de um bom retorno e depois saem”, disse o presidente do IRB.

A transformação em uma empresa privada se fez necessária por conta da abertura do mercado para novos entrantes. A maior concorrência forçou o IRB a se reestruturar para ser mais competitivo.

 

Fonte: Jornal do Comércio

Link: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=137883